quinta-feira, 20 de abril de 2017

Temos que respeitar a nossa fraqueza.





Há um tipo de choro bom e há outro ruim. 
O ruim é aquele em que as lágrimas correm sem parar e, no entanto, não dão alívio. 
Só esgotam e exaurem. 
Uma amiga perguntou-me, então, se não seria esse choro como o de uma criança com a angústia da fome. 
Era. 
Quando se está perto desse tipo de choro, é melhor procurar conter-se: não vai adiantar. 
É melhor tentar fazer-se de forte, e enfrentar. 
É difícil, mas ainda menos do que ir-se tornando enxague a ponto de empalidecer. 
Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. 
Temos que respeitar a nossa fraqueza. 
Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. 
Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.
Homem chorar comove. 
Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil. 
Respeito muito o homem que chora. 
Eu já vi homem chorar.
Clarice Lispector

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